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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CONCLUSÕES SOBRE A REFLEXÃO TEOLÓGICA NEGRA

A caminhada que fizemos nos permite concluir que falar de Deus e de seu mistério, requer uma sintonia muito aguçada com o contexto de homens e mulheres concretos, principalmente quando se trata de situações em que a dignidade humana é negada. A teologia negra insiste que refletir sobre a imagem de um Deus que anda de mãos dadas com o seu povo no cotidiano de suas buscas por melhores condições de vida, pelo restabelecimento dos direitos e da justiça, é uma exigência para toda reflexão teológica que se preze, caso contrário, ela se perderá em conceitos abstratos, sem cumprir a sua verdadeira finalidade, que é favorecer o encontro pessoal e transformador com o Deus verdadeiro, revelado por Jesus Cristo.
Sem dúvida alguma, a experiência que o povo negro teve do modelo cristão, foi de total exclusão, num confronto dramático, marcado pela imposição. Naquele processo de evangelização, passou a ser mais importante a cultura e os costumes europeus do que a própria mensagem cristã. O choque de religiosidades que houve possibilitou, aos negros e negras, recriarem a estrutura de sua religião e de suas vidas. A partir de sua rica experiência e de sua capacidade de luta, nos possibilitam refletir de um modo diferente a experiência de Deus e a própria teologia. A comunidade negra é lugar teológico, pois é reveladora da presença de Deus; um Deus humano, misericordioso, compassivo, comunitário e libertador. Esta experiência reforça a opção preferencial pelos pobres, feita pela Igreja latino-americana e questiona a falta de concretização de muitos dos compromissos pastorais na caminhada evangelizadora. A dimensão profética da Igreja e da própria teologia passa muito pelo modo como acolhe e busca compreender a realidade das pessoas destinatárias da boa notícia do Salvador e Libertador Jesus Cristo. Permanece, portanto, como um apelo constante, a necessidade de uma reflexão teológica que leve em conta a realidade dos caídos à beira do caminho e que esteja atenta aos diversos clamores em nossa sociedade, em vista de melhores condições de vida e de dignidade e oportunidade, entre os quais, de forma insistente, estão os de muitos afrodescendentes, vítimas de um passado cruel e de uma abolição mal feita.

Modjumbá axé!
Pe. Degaaxé

terça-feira, 29 de novembro de 2011

4 A PARTICULARIDADE NORTE-AMERICANA NA REFLEXÃO TEOLÓGICA AFRO

Até agora, a nossa referência foi a América espanhola e a portuguesa, que constitui o Brasil[1], embora haja muitos pontos comuns a toda comunidade negra. Vimos que a data que representa um marco na reflexão sistemática, neste sentido, a nível de América latina, é 1980, com a realização do primeiro EPA – Encontro de Pastoral Latino-americana. No dia 22 de novembro de 1981 acontece a primeira missa, resgatando os valores da cultura negra – ‘Missa dos quilombos’[2].  Neste item, queremos voltar a nossa atenção para a realidade da América do Norte. O ponto de partida comum com os demais países é determinado pelo racismo, pela opressão, marginalização e exclusão da comunidade negra no continente, mas há particularidades que merecem ser observadas com relação ao contexto e práticas do cotidiano. As informações que temos é de que, desde 1960 se tem produzido algo sobre a Teologia Negra. Por exemplo, na África, desde o Concílio Vaticano II, refletia-se sobre Teologia negra e culturas[3]. Nos anos 70, nos Estados Unidos, James Cone mostrou que era legítimo, necessário e oportuno refletir a teologia em chave de negritude e vice-versa[4]. 
A teologia Negra trabalha o tema da libertação como liberdade de ser em relação a Deus, motivando os afrodescendentes a sobreviverem a todo tipo de opressão e aos horrores da humilhação e da escravidão. Muitos são os testemunhos dos que fazem este tipo de experiência. Eles falam de um encontro divino-humano significando morte à vida antiga e a libertação para uma nova forma de existência. Após convertidos, muitos negros crêem que a oração é necessária para que perseverem naquilo que chamam de “a viagem do Senhor”. Por meio da oração, podem comunicar-se com Deus na certeza absoluta de que estão sob seus cuidados em todos os momentos de suas vidas. Por isso muitas orações feitas por negros e negras iniciam com expressões de ação de graças a Deus por ter sustentado o povo na luta: “Querido Senhor”,... comparecemos diante de Ti e Te pedimos que nos defendas. Agradecemos-te por tudo que tens feito por nós”[5]. Ou seja, não importa o que fizeram de nós, importa é o que fazemos do que fizeram de nós; importa cultivar a certeza de que a libertação já aconteceu e de que é compromisso da comunidade negra lutar contra toda e qualquer situação de preconceito e discriminação, resquício do grande mal da escravidão.

Modjumbá axé!
Pe. Degaaxé


[1] Cf. ASSET. Op. cit., p. 41
[2] A palavra quilombo é de origem africana e aqui no Brasil foi símbolo da resistência, sendo refúgio onde se localizavam os negros e negras que conseguiam fugir do cativeiro. "Em 1981, mais precisamente no dia 22 de novembro, a "Missa dos Quilombos" foi cantada pela primeira vez na celebração eucarística presidida pelos arcebispos Dom José Maria Pires e Dom Hélder Câmara. O ato religioso, em memória do líder Zumbi e da resistência dos negros, foi celebrado no Recife, na Praça do Carmo. A letra da missa foi elaborada por Dom Pedro Casaldáliga e por Pedro Tierra. Milton Nascimento compôs a música e a executou na referida celebração. A missa expressa e sintetiza a memória coletiva do povo em sua caminhada histórica. Além da profundidade do texto da missa, a veemente homilia do Dom José Maria Pires, e a invocação de Dom Hélder Câmara a "Mariama", constituíram os pontos altos da celebração" (SILVA, A. A. In: ATABAQUE-ASETT. Agentes de pastoral negros., p. 17).
[3] Cf. COLOMBIANITO, Op. cit., p. 12. Ele diz ainda: “Atualmente, tanto na África quanto fora dela, não se tem dúvida quanto à legitimidade da Teologia negra. Em cada contexto e região, a Teologia Negra vai receber um nome que expressa a sua especificidade, a sua peculiaridade: “Teologia Negra, nos Estados Unidos”, “Teologia Inculturada”, em algumas regiões africanas; Teologia Negra da Libertação e Teologia em Contexto, em outras regiões da África; Teologia Afro-Americana, na América Latina e no Caribe”.
[4] Cf. Id., Ibid., p. 12.
[5] CONE, J. H. O deus dos oprimidos., p. 157.

sábado, 12 de novembro de 2011

MISSA INCULTURADA - orientação para os comentários





Neste artigo limito-me a dar algumas orientações sobre o que precisamos ter presente ao elaborarmos os comentários para a Missa inculturada e alguns passos práticos para a preparação para as próximas celebrações. Lembramos ainda que não dizemos mais axé nem Olorum, e evitamos os cantos fazem alguma apologia aos Orixás.

1-      Acolhida e comentário
Irmãos e irmãs, sejam todos bem-vindos e bem vindas!
            Acolhemos a todos e todas com muita alegria para celebrarmos, fraternalmente, a eucaristia, presença visível e real de Jesus no meio de nós. Celebramos com um novo rosto, resgatando os valores da cultura negra. Celebramos porque acreditamos na vida, na partilha, na fraternidade e na possibilidade de ver uma sociedade melhor, onde todos e todas possam participar com iguais direitos e dignidade.
Em nossa celebração, Jesus Cristo é o centro. Sendo o princípio e fim de todas as coisas, para a comunidade negra, ele é o Antepassado maior, que permite a cada liturgia, celebrar seu nascimento, morte e ressurreição. Ele tomou sobre si toda sorte de dor, sofrimento, discriminação, preconceito, racismo e os superou. Dele, a comunidade recebe a vida que não morre jamais e é nele, portanto, que ela encontra forças para lutar contra todos esses males, alimentando o desejo de contribuir sempre mais para a realização dinâmica do seu reino.
Nota: Acrescentar algo sobre a realidade local. Lembrar que as leituras do domingo não podem mudar, pois é solenidade da Igreja.
Como irmãos e irmãs, reunidos na Casa do mesmo Pai, iniciemos com fé e muito gingado, cantando n. 01 ou .........................
2 – Orações Iniciais
a)      (Invocação ao Deus Todo Poderoso)
Padre: Em nome do Deus de todos nomes, raças e culturas que, em Jesus se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo.
Todos: Em nome do Pai que  faz toda carne: a preta e a branca, vermelha no sangue!
Padre: Em nome do Filho Jesus, nosso Irmão que nasceu moreno da raça de Abraão!
Todos: Em nome do Espírito Santo, bandeira do canto do negro folião!
Padre: Em nome do Deus verdadeiro que amou-nos primeiro sem DI-VI-DI-ÇÃO!
Todos: Em nome dos Três que são um só Deus, aquele que era, que é e que será!
(rufam-se os atabaques por alguns instantes)
b) Invocação do espírito de todo o negro e negra que sofreu desde os inícios da escravidão dem nossa "Terra de Santa Cruz" e de todos os negros e negras que sofrem a marginalização hoje.
Padre: Em nome do povo que espera, na graça da fé, a voz de Jesus Salvador, o quilombo-Páscoa que o libertará!
Todos: Em nome do povo sempre deportado pelas brancas velas no exílio e nos mares marginalizados, nos cais, nas favelas e até nos altares!
Padre: Em nome do Povo que fez seus palmares!
Todos: Que ainda fará palmares de novo; Palmares! Palmares! Palmares do povo!
(rufam-se os atabaques por alguns instantes)

3 – Ato Penitencial: (motivado pelo padre)
Com: Cantemos o BWANA, UTUHURUMIE, Senhor, tende piedade de nós!, n. 4 ou... 
(lembro a todos que BWANA, UTUHURUMIE! é uma expressão em Kiswahili, uma das línguas dos nossos Antepassados no Brasil. Atualmente, entre as línguas nativas africanas, é a mais falada, com mais de cem milhões de falantes reunindo 9 países).

Oração: Deus todo poderoso, tende compaixão de todos nós, vosso povo, perdoai as faltas que cometemos contra o vosso plano de amor e nos conduza à construção, aqui e agora da vida feliz, que não tem fim! Amém.

4- Hino de louvor:
(durante o canto, entra-se ou, de lugares estratégicos, lança-se pétalas de rosa - flores)
Com: O nosso louvor ao Deus da vida é um louvor sem fim, pois nos criou por amor e nos motiva a lutar por um outro mundo possível. Louvemos pelos mártires da caminhada, por todas as pessoas solidárias que empenharam  e empenham suas vidas na construção de uma sociedade fraterna e solidária, onde as pessoas não sejam mais desprezadas pela sua cor ou raça. Cantemos.......................

5- Oração.

6- Rito da Palavra - (a Bíblia entra enfeitada com alguém dançando)
Com: A Palavra de Deus, é viva e eficaz. Deus falou de muitas maneiras através da história. Falou através dos profetas, dos antepassados africanos e por fim, falou através do próprio Filho. Acolhamos esta palavra que brota da vida, da Bíblia e do nosso coração, cantando – Canto n. 8 ou .........................
1ª Leitura 
Salmo
        Aclamação cantemos o n. ..............
Evangelho 
Credo
Oração dos fiéis: Refrão cantado: Ó Senhor, Senhor, nesta noite, escutai nossa prece

7- Apresentação das Oferendas
Com: Oferecemos ao Deus da vida, junto ao pão e ao vinho, toda a nossa cultura. Um grupo dançando, trará até o altar, flores, instrumentos musicais, comidas típicas e outros sinais do trabalho e da alegria do povo negro. Nossas mãos abertas trazem as ofertas do nosso viver. Cantemos ..........
8- Oração sobre as ofertas:
9- Oração Eucarística

10- Rito da Comunhão
Com: Jesus é a razão da nossa esperança e a nossa comunhão com ele na Eucaristia nos dá força para caminhar e contribuir na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.  Cantemos...
11- Oração após a comunhão.

12- Louvação  a Mariama
Com: Ao som dos instrumentos, iremos acolher a imagem da Negra Mariama e, em seguida, acompanharemos a oração a Mariama de D. Hélder Câmara, concluindo com o canto Negra Mariama. Durante o canto, a imagem passará nos corredores para quem quiser tocar. Canto.....................

13- Avisos e homenagens

14- Partilha
Com: Em nossa celebração o espaço se torna banquete onde todos participam, partilham, se ajudam, preenchem-se de Deus e renovam o compromisso fraterno.  O que foi levado para as ofertas é distribuído com os presentes. Cada um, cada uma, em voz alta ou em silêncio, diz com qual luta, com qual pessoa gostaria de partilhar este alimento. Cantemos .......................

15- Benção Final

Oração a Mariama

1- Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e Mãe da Humanidade! Mariama, mãe dos seres humanos de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da terra. Pede ao teu Filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.
2- Mas é importante, Mariama, que a Igreja de teu Filho não fique em palavras, não fique em aplauso. O importante é que a CNBB, a Conferência dos Bispos, embarque de cheio na causa dos negros, como entrou de cheio na Pastoral da Terra e na Pastoral dos Índios;
1- Não basta pedir perdão pelos erros de ontem. É preciso acertar o passo de hoje sem ligar ao que disserem. Claro que dirão, Mariama, que é política, subversão, que é comunismo. É Evangelho de Cristo, Mariama;
2- Mariama, Mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grandes problemas humanos. Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões, Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas. O mundo precisa fabricar é paz;
1- Basta de injustiça, de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar. Basta de uns tendo de vomitar pra comer mais e cinqüenta milhões morrendo de fome num ano só. Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia;
2- Mariama, Nossa Senhora, Mãe querida, nem precisa ir tão longe como no teu Hino. Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e os pobres de mãos cheias. Nem pobre nem rico. Nada de escravo de hoje ser senhor de escravo de amanhã. Basta de escravos. Um mundo sem senhores e sem escravos. Um mundo de irmãos. De irmãos não só no nome e de mentira. De irmãos de verdade, Mariama".
D. Hélder Câmara


Mojumba!
Pe. Ndega, PSDP

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EMENTA DO SEMINÁRIO LABORATORIAL SOBRE LITURGIA INCULTURADA

EMENTA DO SEMINÁRIO LABORATORIAL SOBRE LITURGIA INCULTURADA
Dia 06 de novembro - Gravataí

A liturgia cristã é rica pelo Mistério que celebra, mas também por possibilitar espaços para a criatividade. Ela se tornou ainda mais rica em contato com as culturas. Deve-se reconhecer que “a Igreja precisa das culturas para evangelizar, pois sem as culturas não há evangelização”. A idéia de inculturação nasce, então, a partir deste pressuposto: aproximação, diálogo, intercâmbio de dons, serviço. Da evangelização imposta surge uma releitura e um resgate. Celebramos, então, com um novo jeito, com um novo rosto, mas ainda longe do ideal. Chamou-se ‘Missa dos Quilombos’, ‘Missa afro’, ‘Missa inculturada’, mas, por causa dos excessos, tensões e conflitos, convém dizer: liturgia a caminho da enculturação em meios afro-brasileiros. E como estamos? Vale a pena continuar tentando? É o que se propõe o SEMINÁRIO LABORATORIAL SOBRE LITURGIA INCULTURADA.
Como é do conhecimento de todos e todas, o rito romano é o mesmo em todo lugar (mundo ocidental), mas em suas particularidades - as “celebrações inculturadas afro”, como adaptação do rito romano (cf. SC 37-40) -  diferem das celebrações tradicionais,oficiais: é uma liturgia que envolve canto e muita dança, ao som dos atabaques e outros elementos da cultura negra; com muito gingado, o ato de celebrar torna-se assim rico e diversificado, abrindo espaço para a criatividade do gesto e das expressões litúrgicas, inovando-as de forma notável; a característica principal das celebrações inculturadas é a alegria e a descontração devido à dinâmica canto-dança, porque é assim que o negro e a negra manifestam a sua fé: na alegria; o povo negro canta rezando e reza dançando, uma oração que se faz envolvendo o corpo por inteiro. Desta forma, o canto, a dança, o toque dos atabaques, a natureza, os Ancestrais, a comida e as vestes de tradição africana são parte integrante e importante de nossas celebrações.
Sem grandes pretensões, esperamos alcançar nossos objetivos, levando os (as) integrantes a uma maior compreensão de todo o processo celebrativo, na ótica do Povo negro, partilhando experiências e se fortalecendo em vista de ‘dar razões da nossa fé e da nossa esperança’. Aguardamos você e seu grupo com aquela alegria e gingado, plenos do axé, dom do Deus da Vida, do Deus Comunitário. Viva o Povo Negro, viva os Mártires da nossa História, História de lutas, desafios e vitória. Viva Zumbi dos Palmares, viva o Povo que faz seus Palmares e que ainda fará Palmares de novo, Palmares, Palmares, Palmares do Povo!
Proponho que sejam feitas algumas consultas nas bibliografias abaixo:
BOAVENTURA, Josuel dos Santos (DEGAAXÉ). Negritude e experiência de Deus. Disponível em:
___________. Comunidades afro e experiência cristã. Disponível em:   http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/teo/article/viewFile/1774/1307
___________. Liturgia a caminho da enculturação em meios afro-brasileiros, parte 1. Disponível em: http://www.cnbb.org.br/site/afro-brasileira/1970-questoes-em-torno-da-liturgia-a-caminho-da-inculturacao-meios-afrobrasileiros
­­­­­­­­­___________. Liturgia a caminho da enculturação em meios afro-brasileiros, parte 2. Disponível em: http://www.cnbb.org.br/site/afro-brasileira/1971-questoes-em-torno-da-liturgia-a-caminho-da-inculturacao-em-meios-afrobrasileiros--parte-2

CELAM. Texto conclusivo da V Conferência do Episcopado Latinoamericano e caribenho, São Paulo: Paulinas, 2008.
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. A fraternidade e o negro. Texto-base da Campanha da Fraternidade 1988, Brasília, 1987.
_______. Pastoral afro-brasileira: princípios de orientação. Brasília: Ed. CNBB, 2008.
_______. Nova Evangelização, promoção humana e cultura cristã.  Petrópolis: Vozes, 1993.
CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, 1962-1965, Cidade do Vaticano. Nostra Aetate. In: VIER, Frederico (Coord. Geral). Compêndio do Concílio Vaticano II. 22. ed. Petrópolis: Vozes, 1991, p. 617-625.
_______. Sacrosanctum Concilium. In: VIER, Frederico (Coord. Geral). Compêndio do Concílio Vaticano II. 22. ed. Petrópolis: Vozes, 1991, p. 257-306.
CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. A liturgia romana e a inculturação. São Paulo: Paulinas, 1994.
PASTORAL AFRO-BRASILEIRA - VI Congresso das Entidades Negras Católicas, Refletindo o Rosto Negro da Igreja, de Medellín a Aparecida.Texto Base. São Luís, 2009.
PIRES, José Maria. O Deus da Vida nas comunidades afro-americanas e caribenhas. Palestra de Abertura da II Consulta de Teologia e culturas afroamericanas e caribenhas. São Paulo, 07 a 11 de novembro de 1994. Disponível em: http://atabaque-cultura-negra-e-teologia.blogspot.com/2009_12_01_archive.html. Acesso em: 02 de jun. de 2011.
REIS, Ari Antônio dos. Sugestões para a inculturação litúrgica em meios afro-brasileiros. Disponível em:
SOUZA, Marcelo de Barros. Celebrar o Deus da vida: tradição litúrgica e enculturação. São Paulo: Loyola, 1992.

Modjumbá axé!
Núcleo da Pastoral afro do Vicariato de Porto Alegre

sábado, 24 de setembro de 2011

AFRODESCENDENTES: “EXPRESSIVIDADE CORPORAL, ENRAIZAMENTO FAMILIAR E SENTIDO DE DEUS” (DAp., 56)

Precisamos partir do princípio de que o povo negro tem contribuído muito com relação à sociedade, para que se torne mais humana e fraterna; e, com relação a evangelização da Igreja, para que se torne mais dinâmica e comprometida. Neste sentido, dizemos com o documento de Aparecida que os afrodescendentes se caracterizam, entre outros elementos, “pela expressividade corporal, o enraizamento familiar e o sentido de Deus” (Cf. DAp., 56).
Uma das coisas que me fazem feliz é poder pertencer a um povo que sempre viveu em plena liberdade em terras de Mãe África e que, mesmo sendo deportado, nunca perdeu de vista o sonho de fazer de cada lugar um pedaço da África livre. Este povo, por ser tão rico de valores e incansável em sua luta, supera com muita ginga e muito axé, cada dia de novo, o peso do racismo e suas diversas manifestações. Reconheço as maravilhas que o Deus Libertador realizou através dos nossos Ancestrais e continua realizando em nosso meio, mostrando-se solícito ao que se passa conosco. Isto nos estimula a caminhar e a dizer sem medo de ser feliz: “sou negro (a) e daí. Teremos uma nova civilização quando cada negro ou negra assumir sua identidade e ajudar os não-negros a perceberem que a vida é bela e se torna ainda mais bela quando acolhemos o diferente e nos enriquecemos mutuamente.
Às vezes dói muito, ao perceber que muitos irmãos e irmãs ainda não conseguem assumir a própria identidade, indiferente a toda luta dos nossos Antepassados e à vivência da negritude. Esta situação é geradora de conflitos entre as próprias lideranças e compromete o crédito das reais finalidades de nossa luta. Mesmo assim, quero ser profeta da esperança, contribuindo com o que está ao meu alcance para afervorar a militância, animar as lideranças e seguir cantando a vida, pois quem tem Deus, não se cansa.
A caminhada dos grupos e Comunidades negras tem me ajudado a entender a dinamicidade da experiência de Deus que realizam e a resposta deste Deus ao longo da história. Isto me leva a aprofundar o processo de inculturação do Evangelho na cultura e religiosidade afro-brasileira. A minha pesquisa vem também atender a uma solicitação  da Conferência de Aparecida, no que se refere a “esforços para inculturar a liturgia nos povos indígenas e afro-americanos” (DAp., n. 99). Sabe-se, por experiência, que este é um caminho tenso, por vezes conflitivo, contudo, rico e necessário. A inculturação é vista, por Aparecida, como uma riqueza, pela presença de novas expressões e valores, manifestando e celebrando cada vez melhor o mistério de Cristo, conseguindo unir fé e vida e assim contribuindo para uma catolicidade mais plena (DAp., n. 479) e mais consciente.
O engajamento dos afrodescendentes dentro da Igreja e assumido por ela, torna-se uma ação pastoral efetiva em vista da vida e dignidade desta parcela da população, trazendo ao seio das nossas comunidades eclesiais reflexões sobre o racismo e a necessidade de uma postura mais acordo com o evangelho, ajudando seus membros a se enveredarem num contínuo processo de “descolonizar as mentes, o conhecimento, a recuperar a memória histórica, fortalecer os espaços e relacionamentos inter-culturais”. Todas estas “são condições para a afirmação da plena cidadania desses povos” (DAp., n. 96). Estes negros e negras, agentes de pastoral, cultivam uma fé comprometida com a transformação da realidade, solidária com os anseios dos oprimidos de todos os tempos.
“A Igreja, com a sua pregação, vida sacramental e pastoral, precisará ajudar para que as feridas culturais injustamente sofridas na história dos afro-americanos, não absorvam nem paralisem, a partir do seu interior, o dinamismo de sua personalidade humana, de sua identidade étnica, de sua memória cultural, de seu desenvolvimento social nos novos cenários que se apresentam” (n. 533). Essa ajuda pode vir da busca de um maior conhecimento e respeito com relação aos valores e tradições dos afrodescendentes, acolhendo o processo de inculturação, principalmente da liturgia, não com desconfiança e ceticismo, mas como parte fundamental do processo evangelizador. Esta possibilidade já tinha sido levada em conta pelo concílio Vaticano II quando afirma que “salvando a unidade substancial do rito romano dê-se lugar a legítimas variações e adaptações para os diferentes grupos, regiões e povos  (SC, 37-40). Com esta postura, a Igreja se dá conta de que não pode haver verdadeira e sólida evangelização se se distancia das culturas dos homens e das mulheres locais. Neste intuito é que, como Povo Negro, buscamos celebrar com um novo rosto, resgatando no Mistério Pascal de Cristo, valores que sempre estiveram na base de nossa experiência existencial.
Modjumbá axé!
Pe. Degaaxé

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

POVOS AFRICANOS VINDOS AO BRASIL E SUAS CARACTERÍSTICAS

            Através de dados históricos destes autores que estamos trabalhando, vamos descobrindo que foram inúmeras as culturas e povos retirados à força de suas terras para serem submetidos à situação de escravidão aqui, no Brasil. No artigo anterior eu mencionei a estimativa em números. Neste artigo, quero trabalhar brevemente os tipos de culturas africanas, com suas principais características. O autor R. Cintra, costuma dividi-los em três grandes grupos, que correspondem aos diversos ciclos do tráfico escravagista. Veja na íntegra[1]:
1)      Culturas sudanesas, representadas principalmente pelos povos Iorubás da Nigéria (Nagô, Ijêcha, Egbá, Ketu, Ibadon, Ijebú) e do Daomé (grupo Gêge ou Ewe, Fon ou Egon) pelo grupo Mina, da Costa de Malagueta, da Costa do Marfim ( Krumano, Agni, Zema, Teminí, Gós, Tehis, etc.)
2)      Culturas Guineano-sudaneses islamizados, representados em primeiro lugar pelos Peuhl (Fulah, Fula), depois pelos Mandinga (Solmke, Bombara), pelos Haussá do norte da Nigéria e por grupos menores, como os Tapa, Bornu, Gurunsi, Komusis e outros.
3)      Culturas bantos, constituídas por numerosas tribos do Congo, de Angola e da Contra-Costa (Cabindas, Benguelas, Macuas, Angicos, Caçanges, Rebolos, Muxincongos).
 
            “Os bantos do Congo e da Angola parecem ser os mais primitivos. Viviam nas florestas ou nas planícies perto da costa, em pequenas aglomerações ou tribos. As habitações eram choças em colmo ou cabanas redondas de teto cônico. O vestuário era rudimentar. Não conheciam tecidos, andavam seminus ou usavam tangas de fibras de palmeiras ou cascas de árvores. Havia uma grande variedade de raças e línguas, conforme os grupos localizados ao Norte, ao Sul ou ao Centro. Dedicavam-se ao pastoreio ou à agricultura rudimentar com enxadas de pau (Artur Ramos). Os mais civilizados eram os sudaneses, iorubás, nigerianos ou daomeanos. Eram altos, corpulentos e ativos. Viviam em cidades, possuíam postos com embarcações. Seus chefes eram tratados pelos portugueses como reis. Conheciam a tecelagem e negociavam com os estrangeiros “panos da costa”. Tinham ferreiros e artistas em cobre, ouro e madeira. Criavam animais de grande e médio porte: cavalos, gados, cabras, carneiro. Tinham habitações e adobe e construíam fortificações. Os sudaneses islamizados haussás, malês conheciam os progressos da cultura árabe. Possuíam armas mais aperfeiçoadas. Os fanti e ashanti, bem como os habitantes da Costa do Ouro e do Golfo da Guiné, participavam do adiantamento da cultura. Negociavam o ouro com os portugueses e sabiam trabalhar metais. Os mais poderosos, particularmente os regulos do Daomé e de Lagos, (...) praticavam o escambo com os portugueses ou baianos, trocando escravos por rolo de fumo (12 rolos de fumo a troco de um escravo). Aguardente, açúcar, farinha de mandioca, fazenda grosseiras, quinqüilharias orientais, pólvoras e armas eram também mercadorias usadas no escambo”.[2]
            A essas alturas, é importante perceber que, sem se dar por conta, os portugueses estavam introduzindo, nesta terra, pessoas de tradições muito diferentes umas das outras, de religiosidade totalmente diversas; alguns com uma capacidade enorme de organização, outros, nem tanto; alguns vindos de reinos, outros de apenas uma organização tribal. Enfim, trouxeram pessoas que, ao se encontrarem - pela rivalidade existentes entre elas - poderiam ter se destruído mutuamente[3]. Mas isso não aconteceu, pois agora, diante de toda a destruição causada em suas terras e em suas vidas, restava somar forças contra um inimigo comum, buscando uma melhor maneira de se reorganizar a fim de manter vivas, as raízes da Mãe-África, resgatando valores e tradições. Na verdade, o projeto português deu efeito contrário, pois, assim como o tráfico não cessava, também não cessava a contínua renovação das fontes de vida, “estabelecendo um contato permanente entre os antigos escravos ou seus filhos e os recém-chegados em cujas fileiras vinham, com freqüência, sacerdotes, adivinhos, médicos-feiticeiros, o que fez com que houvesse durante todo o período escravista um rejuvenescimento dos valores religiosos”[4].
          Quanto à prática religiosa, já acontecia algo significativo nas senzalas, embora sem uma organização estrutural como casas de culto, terreiros, etc. Aconteciam verdadeiras celebrações, sem que seus senhores notassem. Em se tratando de Candomblés, Xangôs e Batuques, como temos hoje, tratam-se de organizações muito recentes, que datam seu início no final do século XVIII e o início do século XIX[5]. O nosso estudo, portanto, vai tentar aprofundar estas práticas religiosas, buscando seu verdadeiro significado ontem e hoje na África e no Brasil, sem a pretensão de esgotar o assunto, mas aprofundar os elementos comuns de diálogo e de encontro cultural, a fim de que, em nossa síntese teológica, descubramos a ação do Deus da vida, presente nas diversas manifestações do Povo Negro.



[1]  CINTRA, R.. Op. cit. p. 32; Veja dados correspondentes e complementares em BASTIDE, R, Op. cit., p. 67.  Quanto ao destino de toda esta gente, é significativa a colocação que CINTRA faz: "(...) Os sudaneses, particularmente os Iorubás ficaram mais na Bahia e no Nordeste, os daomeanos, particularmente os Gêges, foram para o Maranhão. Há também representantes na Bahia e em Pernambuco. Os Haussas, malês e mandingas, espalhados pelo Nordeste, foram os principais responsáveis pelos Quilombos; os bantos espalhados um pouco pelo Brasil inteiro, são mais numerosos no Rio De Janeiro, em Minas Gerais e nos Estados do Sul".
[2] Idem, Ibidem, p. 32

[3] Cf. BASTIDE, R. Op. cit.,  p. 68.
[4] Id. Ibid., p. 69.
[5] Cf. Id. Ibid., p. 69; nos parece interessante apresentar algumas datas de fundação. O nosso autor, fundamentando-se nas pesquisas feitas por P. VERGER, mostra que a casa da Minas de São Luís do Maranhão tenha sido provavelmente fundada em 1796 por membros perseguidos da família real do Daomé; e Nunes Pereira soube por Mãe Andréia que sua “casa” havia sido fundada por “contrabandos”, isto é, por negros trazidos clandestinamente depois de 1815 e que tinham sido libertados quando de sua chegada ao Brasil. Sabemos, de outro lado, que o Candomblé de Engenho Velho em Salvador foi fundado por duas sacerdotisas da família de Xangô, trazidas como escravas para esta cidade no começo do século XlX.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

AFRICANOS E EUROPEUS: UM ENCONTRO DRMÁTICO

No meu artigo anterior, eu havia afirmado que a campanha do colonizador pela escravização dos indígenas foi algo que não deu muito certo. Os fatores para isso estão no referido artigo. Em continuidade, vamos perceber que o colonizador vai apelar para a escravidão de africanos. A própria experiência em Portugal confirma a eficácia no trabalho desejado, por ter invadido a África desde 1400[1].  O autor D. Freitas faz uma pequena comparação entre estes dois tipos de escravos: o indígena e o africano:
          "Os índios se mostravam incorrigivelmente inadaptáveis ao trabalho escravo. Quando não escapavam para viver de novo no mato à lei de seus instintos naturais, morriam em massa, ceifados pelo mortífero contágio com as doenças européias. Já o africano, como era fisicamente robusto, possuía uma tradição de vida sedentária (...)  configurando por isto a solução prática e necessária do problema da força-de-trabalho para a empresa colonizadora"[2].
            Por volta dos séculos XIV e XV, encontramos uma África dividida em tribos - alguns livros utilizam o termo reinos - que competiam entre si, em busca de maiores espaços territoriais. Algumas tribos eram  de cultura primitiva, outras de cultura mais avançada; destas, algumas eram formadas culturalmente sob influência do islamismo. Uma das vantagens indiscutíveis que os negros do século XV tinham sobre os europeus era a superioridade técnica no uso dos metais. Os africanos possuíam sociedades baseadas na posse comunal da terra e praticavam com intensidade o trabalho coletivo[3].
          “Os povos do oeste africano tinham indubitavelmente, sistemas agrícolas bem desenvolvidos. Os Daomés tinham até mesmo um sistema de plantation; Todos esses povos – Daomés, Ashante, Yoruba, para mencionar alguns de comércio cuidadosamente regulamentado; existia grande número de ligas artesanais, e começava a surgir uma estrutura de classe”[4].
           Segundo J. Chiavenato, esses povos, em particular, os do oeste africano, tinham uma agricultura mais avançada em suas técnicas que Portugal. O autor continua ainda destacando a capacidade cultural dos yoruba e sua religião muçulmana, lembrando, porém, que estes povos se desenvolveram independente do contato com os muçulmanos[5].
           A chegada das poderosas nações européias, bem armadas e ávidas de lucro, contribuiu para aumentar as algumas rivalidades, alimentou as guerras tribais, sobretudo, abalou fortemente esses conjuntos sociais e culturais e fez desaparecer certas tradições. Até a família ampliada, que era composta da esposa ou das esposas, o pai, os filhos, os primos e que resistiu até os primeiros tempos da colonização, por ora, teve que romper-se[6]. Em vista da dilatação da fé e do império, não importava o que se fazia. Neste sentido, a execução do programa foi bem maquiavélico. Diante dos abusos e crueldades, alguns papas até que tentaram protestar. Entre eles encontramos o Papa Pio II, em 1462 e Paulo III, na Bula Sublimis Deum, de 1537[7]. No entanto, no Brasil, a realidade era outra, pois de tão estrutural que estava a escravidão por aqui, o Pe. Manuel da Nóbrega chega a "escrever ao rei pedindo entre outras coisas necessárias (vacas, instrumentos de ferro e uma dotação), também ... alguns escravos da Guiné... para fazerem mantimentos..."[8]
           Um grande questionamento ao qual não se têm resposta exata é: quantos negros foram trazidos ao Brasil? A dificuldade em afirmar, com certeza, é devido à queima dos documentos oficiais sobre o trafico negreiro[9],  a fim de apagar da história esta página que, para o Brasil representa uma vergonha, e que simplesmente é preciso esquecer, pois fomos o último país a suprimir a escravidão. Mesmo assim, tem-se a estimativa de mais de quatro milhões de negros, o que corresponde a 40% do total da Américas[10].  Calmon vai falar de 6 milhões, enquanto Taunay reduz para 3.600.000[11]. Já Pandira Calógeras, citado por R. Cintra, avalia em mais de 15 milhões, baseando-se em cálculos sobre a capacidade dos navios e das viagens marítimas. Não se sabe, na verdade, quantos foram; o que se sabe é que nem todos chegavam vivos[12]. Continuaremos este assunto no próximo artigo.
Modjumbá axé!



[1] Cf.  CINTRA, R. Candomblé e Umbanda. São Paulo: Paulinas, 1985, p. 27.
[2] FREITAS, D. O escravismo brasileiro. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2. ed. 1982, p. 23.
[3] Cf. Id. Ibid., p. 49.
[4] Id. Ibid. , p. 49.
[5] Id. Ibid. p. 20.
[6] Cf.  MATTOSO, K. Q. Ser escravo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 3ª ed., 1990, p. 27.
[7]  Cf. em CINTRA R.. Op. cit., p. 23);  R. BASTIDE, vai dizer que a Igreja lutou contra a escravidão do índio, mas aceitou a do negro.  (Cf. BASTIDE, R. As religiões africanas no Brasil. 3 ed., São Paulo: Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais, 1989,  p. 77).
[8] BEOZZO, J. O. A escravidão que fez e explica o Brasil. Revista Vida Pastoral, São Paulo: Paulinos, ano XXIX - n. 138, janeiro-fevereiro de 1988, p.18.
[9] Cf.  CINTRA, R. Op. cit.,  p. 23); Cf. também  BASTIDE, R., Op. cit., p. 50.
[10]  Cf. TOLEDO, R. P de.  Á sombra da escravidão. Veja, São Paulo: Ed. Abril, ed 1444, Ano 29 – n20, 15 de maio de 1996 p. 53.
[11] Cf. BASTIDE, R. Religiões africanas no Brasil., p. 50-52.
[12] Cf. CINTRA. R. Candomblé e Umbanda., p. 24;