sexta-feira, 20 de novembro de 2020

DEUS SE FAZ ENCONTRAR NO HUMANO


Reflexão a partir de Ez 14, 11-12.15-17; 1 Cor 15, 20-26.28; Mt 25, 31-46




 

    Concluindo o ano litúrgico, a Igreja nos apresenta a Solenidade de Cristo, o Rei do Universo, lembrando-nos que Ele quer que participemos do seu reino. Os textos escolhidos para esta ocasião nos ajudam a refletir sobre a imagem de Deus como Rei e Pastor, que não só tem o desejo de reunir todas as suas ovelhas em torno a si, mas Ele mesmo cuida delas e tem um amor particular especialmente para aqueles que são mais fracos. Sua atitude é a referência de nossas ações.

    O profeta Ezequiel fala em nome de Deus aos líderes de Israel, criticando a irresponsabilidade deles como pastores, que levou o povo a experimentar um período de dor e sofrimento na Babilônia. Mas em sua mensagem, o profeta também anuncia o cuidado de Deus por este povo que ele mesmo conduzirá a uma nova situação, como um verdadeiro pastor faz por suas ovelhas. Na verdade, o povo foi libertado do exílio, mas este foi apenas um anúncio da verdadeira libertação que ocorrerá com a missão de Jesus, o Bom Pastor, que se entrega para que todos as pessoas possam ter vida nova e plena.

       Segundo o testemunho de São Paulo, Jesus ressuscitou, mas não para ser o único. Ele é primícia, ou seja, o primeiro de uma longa fila. Ele abriu para nós o caminho para uma vida plena e definitiva. E como Ele fez isso? Vencendo todo o poder do mundo, através de sua morte e ressurreição, salvando toda a humanidade e estabelecendo o reino de Deus seu Pai. Todas as pessoas são convidadas a participar deste Reino, que já está presente entre nós e somente a união com Cristo nos torna capazes de prová-lo de forma concreta.

     O evangelho de hoje é conhecido como "o Julgamento Universal" e muitos de nós imaginamos Jesus como um "juiz" que sentado em seu trono julgará a humanidade, recompensando alguns e punindo outros como os reis deste mundo. Mas não podemos esquecer o que ele mesmo disse: "Deus não enviou o Filho ao mundo para ser seu juiz, mas para ser seu Salvador" (João 3:17). Então seu propósito não é julgar, mas salvar por causa de seu amor e misericórdia. Então, como é possível entender esse texto de Mateus que fala de julgamento?

    Os evangelistas mostram que Jesus recusou o título de rei em seus momentos prodigiosos, mas o aceitou quando parecia derrotado, ou seja, na cruz. Sua oposição a este título foi devido à mentalidade política de reino, que era contra o significado de sua missão. Aqui Ele usa a imagem do rei-pastor para fazer entender o verdadeiro significado de seu Reino e seu propósito como o Rei. Em primeiro lugar, seu reino não vem deste mundo e não pode ser visto, dizendo: ele está aqui ou ele está ali. Ele segue uma lógica diferente: não é visto, mas está presente.

      Embora Jesus não tenha definido o que é o Reino de Deus, o mostrou presente entre nós e nos convidou a experimentar sua presença através do bem feito aos necessitados. É verdade que o Reino também se manifesta através de algumas das minhas ações, mas, atenção! O Reino não é algo que eu faço, mas é o que Deus realiza na minha vida, no mundo e na história.  Jesus é o rei que aceitou a cruz como seu trono, onde mostrou seu grande amor pelo mundo. Aqui está o julgamento: seu amor, sua compaixão como ponto de referência de nossa ação.

       Como um pastor faz com suas ovelhas, Jesus quer reunir todas as pessoas em torno a si em seu reino. Ele se identifica com os mais necessitados e estabelece o bem feito a eles como condição para a salvação. Suas palavras nos ajudam a discernir para que possamos fazer bem nossas escolhas. O tipo de relacionamento que temos com aqueles que mais precisam nos julga, portanto, estamos sendo julgados o tempo todo de nossa existência; mas o momento decisivo de nossas vidas virá quando encontrarmos Deus face a face. Nesse momento não seremos perguntados se pertencemos a alguma religião ou quantas vezes fomos à igreja, mas o quanto realmente amamos.

       Assim, temos como exemplo os gestos de Cristo em sua identificação com os pequenos e pobres. "Tome o meu exemplo, vá e faça o mesmo"!, ele nos diz ainda hoje. Tudo o que fazemos por e com eles, inspirados por Cristo, fazemos a Ele mesmo. Não precisamos deixar nossa humanidade para encontrar Deus; o próprio Deus se faz encontrar no humano e lá onde a humanidade é mais sofrida, mais aflita e maltratada a presença divina é mais concreta e intensa. As obras de misericórdia feitas para os mais necessitados podem se tornar uma verdadeira experiência de Deus e chave para entrar em seu reino.

     A mensagem e os gestos de compaixão deste Rei-Pastor nos tornam mais humanos, atentos às necessidades dos outros. Não podemos permitir que nossas escolhas levem nossa vida à ruína, longe do propósito pensado pelo Senhor para nós. A chave é o amor. "E aqui está o julgamento: o que resta quando não resta mais nada? Permanece o amor, dado e recebido". Então, apressemo-nos a amar porque só o amor edifica e somente o que é feito com amor têm a sua consistência. O resto não conta para nada. Deus, que é amor, está em nós. Demos a ele oportunidade para agir porque, "Se tivermos Deus em nós, faremos o bem somente com a nossa passagem" (São João Calábria). 


Fr Ndega

domingo, 15 de novembro de 2020

SIERVO/A BUENO/A Y FIEL

 

Reflexión a partir de Mate 25, 14 – 30


 

El contenido de esta reflexión me lleva a comenzar con la frase “Dios es bueno”. Él todo lo hace bien y decidió compartir sus dones con nosotros haciéndonos siervos, administradores de estos dones, no dueños. Él no llena con su gracia y bondad, de acuerdo con lo que las Escrituras dicen: “de su bondad, recibimos gracia tras gracia”. Pensemos en nuestra vida. “Dios nos dió vida, y con este don, él nos atribuye una tarea. Lo recuerdo bien: la vida nos es simplemente confiada, es un bien por el cual somos personalmente responsables”, no dueños. Así por su voluntad, el propósito de nuestra vida es ser fecunda desde su propio origen y esa fecundidad se expresa justamente a través de nuestra capacidad de compartir, de hacer fructificar los dones recibidos de Dios; capacidad esta dada por el mismo Dios.

Es eso que Jesús nos hace entender con la “parábola de los talentos”. En esta narración, un hombre llamó a sus tres siervos, compartió sus bienes con ellos y partió para un largo viaje. En su regreso, él llamó nuevamente a los siervos para que rindan cuentas. De los tres solamente dos siervos participaron de la alegría del señor porque actuaron de acuerdo con su expectativa, mientras que el tercero cultivando una idea equivocada de su señor, prefirió enterrar el talento recibido.

Entre muchos aspectos, esta parábola habla de la gratuidad de Dios que llama a todos hacia sí y nos confía sus dones. El texto nos dice que esos dones son distribuidos en diferentes medidas, remarcando la diversidad de dones de las personas, pero también nos trae la idea de abundancia y generosidad. No existe ninguna reserva en la oferta divina. Cualquier reserva en este sentido viene de la capacidad de cada uno de recibir y hacer fructificar los dones recibidos: a uno, cinco talentos, a otro, dos y al último, sólo uno. La medida es definida de acuerdo con la capacidad de cada uno. Así aunque Dios actúe con gratuidad y generosidad, él respeta la libertad y la capacidad para recibir de cada uno. Para él interesa más la calidad de nuestras acciones y no la cantidad.

Lo importante no es la cantidad de dones recibidos, sino la capacidad o entusiasmo para hacerlos fructificar, o sea, lo que recibimos debe ser compartido no acumulado o usado a penas para uno mismo. Dones compartidos generan fraternidad y sirve para la gloria de Dios: “Bien, siervo bueno y fiel... ven a participar de la alegría de tú Señor”. Aquel que decide usar los dones recibidos a penas para sí mismo arruina su propia vida. Tal vez eso se deba al miedo: miedo a Dios, a la novedad, a la fraternidad. Refiriéndose a Dios, el miedo es causado por el cultivo de falsas imágenes de él; y refiriéndose a la novedad es causado por la pereza, una expresión de una vida mediocre que nos garantiza una zona de confort, cerrándonos a los demás.

El cultivo de una imagen de un Dios severo nos asusta, nos paraliza. “Debemos tener el concepto de un Dios que nos anima a salir de nosotros mismos, que nos da valor para vivir la libertad para el Reino”. Una señal muy clara de reconocimiento de sus dones en nuestras vidas es nuestra voluntad de servir. Esos talentos, confiados a la capacidad de todos, nos hacen recordar de nuestro llamado vocacional. Dios nos llama a la vida y fortalece con su gracia nuestra capacidad de crecer, de madurar personalmente, de discernir y responder al llamado viviendo como hijos, hermanos y hermanas, seguidores de su Hijo.

“Dios me dio vida, para que pueda multiplicar los bienes de la tierra, o sea, hacer el bien, para que a través de este servicio pueda encontrar el sentido de mi vida, y descubrir mi vocación, esto es, el bien que Dios me da para hacer”. Esconderse o esconder los dones es una señal de que no aprecio la vida lo suficiente de acuerdo con la voluntad del Dador. Si no entierro mi vida en la arena y tengo la audacia de hacer fructificar los dones de Dios, puedo nutrir la esperanza de que él me apruebe, y me de más. Contar con nosotros para cuidar de sus dones significa que Dios tiene buenas expectativas sobre nosotros. Él quiere que compartamos su alegría. La fidelidad a esta tarea es la condición para participar de su alegría. Que podamos actuar sabiamente como siervos buenos y fieles.


Fr Ndega

Traducion: Nomade de Dios

sábado, 14 de novembro de 2020

SERVO/A BOM/BOA E FIEL

 

Reflexão a partir de Mateus 25, 14-30




 

       O conteúdo dessa reflexão me leva a começar com a frase "Deus é bom". Ele fez tudo bem feito e decidiu compartilhar seus dons conosco fazendo-nos servos, administradores destes dons, não donos. Ele nos enche com sua graça e bondade, de acordo com o que as Escrituras dizem: "De sua bondade, recebemos graça sobre a graça". Pensemos na nossa vida. "Deus nos deu vida, e com este dom, ele nos atribuiu uma tarefa. Lembremo-lo bem: a vida é simplesmente confiada a nós, é um bem pelo qual somos pessoalmente responsáveis", não donos. Assim, por sua vontade, o propósito de nossa vida é ser fecunda desde a sua origem e essa fecundidade é expressa justamente através de nossa capacidade de compartilhar, de fazer frutificar os dons recebidos de Deus; capacidade essa dada pelo próprio Deus.

      É isso que Jesus nos faz entender com a "parábola dos talentos". Nesta narração, um homem chamou seus três servos, compartilhou seus bens com eles, e partiu para uma longa viagem. Em seu retorno, ele chamou novamente os servos para uma prestação de contas. Dos três somente dois servos participaram da alegria do senhor porque agiram de acordo com sua expectativa, enquanto o terceiro cultivando uma ideia errada do seu senhor, preferiu enterrar o talento recebido.

       Entre muitos aspectos, esta parábola fala da gratuidade de Deus que chama todos a si e nos confia os seus dons. O texto nos diz que esses dons são distribuídos em diferentes medidas chamando a atenção para a diversidade de dons das pessoas, mas também nos traz a ideia de abundância e generosidade. Não existe nenhuma reserva na oferta divina. Qualquer reserva nesse sentido vem da capacidade de cada um de receber e fazer frutificar os dons recebidos: a um, cinco talentos, a outro, dois e ao último, apenas um. A medida é definida de acordo com a capacidade de cada um. Assim, mesmo que Deus aja com gratuidade e generosidade, ele respeita a liberdade e a capacidade de acolhida de cada um. Para ele interessa a qualidade das nossas ações e não a quantidade.

      O importante não é a quantidade de dons recebidos, mas a capacidade, o entusiasmo de faze-los frutificar, ou seja, o que recebemos deve ser compartilhado não acumulado ou usado apenas para nós mesmos. Dons compartilhados geram fraternidade e servem para a glória a Deus: "Bem servo bom e fiel... vem participar da alegria do teu Senhor. Aquele que decide usar os dons recebidos apenas para si mesmo arruína a própria vida. Talvez isso se deva ao medo: medo de Deus, da novidade, da fraternidade. Referindo-se a Deus, o medo é causado pelo cultivo de falsas imagens dele; e referindo-se a novidade, é causado pela preguiça, uma expressão de uma vida medíocre que nos garante uma “zona de conforto”, fechando-nos aos demais.

     Cultivar a imagem de um Deus severo, que nos assusta, nos paralisa. "Devemos ter o conceito de um Deus que nos anima a sair de nós mesmos, que nos encoraja a viver a liberdade para o Reino." Um sinal muito claro de reconhecimento de seus dons em nossas vidas é nossa vontade de servir. Esses talentos, confiados à capacidade de todos, nos fazem lembrar do nosso chamado vocacional. Deus nos chama à vida e fortalece com sua graça nossa capacidade de crescer, de amadurecer pessoalmente, de discernir e responder ao chamado vivendo como filhos, irmãos e irmãs, seguidores de seu Filho.

     "Deus me deu vida, para que eu possa multiplicar os bens na terra, ou seja, fazer o bem, para que, através deste serviço, eu possa encontrar sentido da minha vida, e descobrir a minha vocação, isto é, o bem que Deus me dá para fazer". Esconder-se ou esconder os dons é um sinal de que não aprecio a vida o suficiente de acordo com a vontade do Doador. Se eu não enterrar minha vida na areia e tiver a audácia de fazer frutificar dons de Deus, posso nutrir a esperança de que ele me aprove, e me dê mais. Contar conosco para cuidar dos seus dons significa que Deus tem boas expectativas sobre nós. Ele quer que compartilhemos sua alegria. A fidelidade a esta tarefa é a condição para participar de sua alegria. Que possamos agir sabiamente como servos bons e fiéis.


Fr Ndega

SERVO/A BUONO/A E FEDELE

 

Riflessione a partire di Mt 25, 14-30

 

       Il contenuto di questa riflessione mi porta a iniziare con la frase “Dio è buono”. Egli ha fatto bene ogni cosa e ha deciso di condividere i suoi doni con noi rendendoci servi, amministratori di essi, non padroni. Egli ci ricolma della sua grazia e della sua benevolenza, secondo quello che dice la Scrittura: “Dalla sua bontà riceviamo grazia su grazia”. Pensiamo alla vita. “Dio ci ha concesso la vita, e con questo dono, ci ha assegnato un compito. Ricordiamolo bene: la vita ci è semplicemente affidata, è un bene di cui siamo personalmente responsabili”, non padroni. Così per la sua volontà la finalità della nostra vita è quella di diventare feconda fin dalla sua origine e questa fecondità si esprime proprio tramite la nostra capacità di condividere, di fare fruttare i doni ricevuti da Lui.

         È questo che Gesù ci fa capire con la ‘parabola dei talenti’. In questo racconto, un uomo chiamò i suoi tre servi, condivise con loro i suoi beni e se ne andò per un lungo viaggio. Al suo ritorno, chiamò nuovamente i servi per un rendimento di conto. Dei tre soltanto due servi hanno partecipato alla gioia del padrone perché hanno agito secondo la sua aspettativa, mentre il terzo avendo un’idea sbagliata del padrone, preferì sotterrare il talento ricevuto.

        Fra tanti aspetti, questa parabola parla della gratuità di Dio che chiama tutti a sé e consegna i suoi doni. Il brano narra come questi doni vengono distribuiti con diversità di misure richiamando l’attenzione sulla diversità dei doni delle persone, ma anche porta in se’ l’idea di abbondanza e generosità. Non ha una riserva nell’offerta divina. Qualche riserva in questo senso viene dalla capacità di ciascuno di ricevere e far fruttare i doni ricevuti: a uno cinque talenti, a un altro due e all’ultimo uno. La misura è definita secondo la capacità di ciascuno. Così, anche se Dio è gratuito e generoso rispetta la libertà e capacità di accoglienza di ciascuno. Per Lui interessa la qualità e non la quantità.

       L’importante non è la quantità dei doni ricevuti ma la capacità, l’entusiasmo di farli fruttare, cioè, quello che riceviamo va condiviso non accumulato né usato solo per noi stessi. I doni condivisi generano fraternità e rendono gloria a Dio: “Bene servo buono e fedele… prendi parte alla gioia del tuo Signore”. Colui che decide di usare i doni ricevuti solo per se stesso porta a fallimento la propria vita. Forse questo avviene a causa della paura: paura di Dio, della novità, della fraternità. Riguardo Dio, la paura è causata dal crearsi false immagini di Lui; riguardo la novità, è causato dalla pigrizia, espressione di una vita mediocre e confortevole che ci chiude agli altri.

      Coltivare l’immagine di un Dio severo, che ci fa paura, ci paralizza. “Dobbiamo avere il concetto di un Dio che ci anima ad uscire da noi stessi, che ci incoraggia a vivere la libertà per il Regno.” Un segno molto chiaro di riconoscimento dei suoi doni nella nostra vita è la nostra disponibilità per servire. Questi talenti, accresciuti alla capacità di ciascuno, ci fanno ricordare la nostra chiamata vocazionale. Dio ci chiama alla vita e rafforza con la sua grazia la nostra capacità di crescere, di sviluppare personalmente, discernere e di corrispondere alla chiamata vivendo da figli, da fratelli, da seguaci del suo Figlio.

     “Dio mi ha dato la vita, affinché io moltiplichi i beni sulla terra, cioè il fare del bene, affinché, per mezzo di questo lavoro, io trovi un senso alla mia vita, e scopra la mia vocazione, cioè il bene che Dio mi dà da compiere”. Nascondermi o nascondere i doni è segno che non apprezzo abbastanza la vita secondo il volere del Donatore. Se non sotterro la mia vita nella sabbia e ho l’audacia di portare a frutto i doni di Dio, posso nutrire la speranza che egli mi approverà, che mi darà di più. Contar su di noi per custodire i suoi doni vuol dire che Dio ha buone aspettative su di noi. Lui vuole che partecipiamo alla sua gioia. La fedeltà a questo compito è la condizione per prendere parte alla sua gioia. Che possiamo agire saggiamente come servi buoni e fedeli.


Fr Ndega

Revisione dell'italiano: Giusi

sábado, 10 de outubro de 2020

C’È ANCORA POSTO

 

Riflessione su Is 25, 6-10a; Fil 4,12-14.19-20; Mt 22, 1-14


 

       Il banchetto sempre porta con sé l’idea di familiarità, di convivialità, di intimità, di celebrazione. È un momento particolare in cui le persone condividono cibi ma anche le situazioni della vita e sentono crescere la fratellanza tra di loro. La condivisione e la fraternità che si sperimentano nel banchetto superano ogni divisione e idee egoiste che portano le persone a pensare solo a se stesse oppure a voler accumulare per sé ciò che appartiene a tutti.  Banchetto è festa e gioia che si condivide e che ci porta a una sensazione di una vita senza fine. È questa l’esperienza su cui ci fa riflettere la Parola di Dio di oggi.

       Nella prima lettura il profeta annuncia che Dio offrirà un banchetto a tutti i popoli, attirando tutti al suo monte, cioè, a se stesso, strappando il velo che separava i popoli tra di loro e nel rapporto con Dio. Quando qualcuno invita a un banchetto ha sempre qualcosa da comunicare. In questo caso, Dio ha preso l’iniziativa dell’invito perché vuole condividere la sua gioia e comunicare la sua salvezza. Il suo desiderio è che tutti i popoli possano ascoltare la sua voce e lasciarsi condurre da suo Spirito a una totale unità e solidarietà. Queste sono le condizioni per sperimentare la vita che egli offre a tutti.

       Solo quando si vive un rapporto intenso con Dio si può testimoniare agli altri. Nella seconda lettura San Paolo ribadisce che essere debole non è un problema, anzi, è la soluzione; questa è la condizione necessaria per fare l’esperienza della forza divina. San Giovani Calabria diceva: “Zero e miseria sono buone condizioni… Dio non sa cosa fare con gli orgogliosi, anzi li allontana da sé”. Se è Dio la forza di cui abbiamo bisogno, allora dobbiamo fidarci di lui. Ogni giorno è un invito a uno svuotamento e consegna di noi stessi.

       Nel vangelo Gesù continua il suo insegnamento con parabole. Questa è la quinta parabola di seguito. Ricordiamo che la prima è stata quella del padrone misericordioso e del servo impietoso, simbolo del Dio che perdona oltre le nostre colpe; la seconda parlava del padrone della vigna che è uscito a cercare lavoratori e paga ugualmente tutti perché la misura non è quanto si fa, ma la bontà e la generosità di Dio; la terza, in una famiglia il papà chiese aiuto ai due figli, ma solo uno ha fatto la volontà del padre. Così, non basta dire di sì alla chiamata divina, bisogna perseverare nel sì fino in fondo. Nella domenica scorsa il padrone del terreno piantò la vigna, si prese cura di essa e la diede in affitto a dei contadini; così Dio affida a noi i suoi doni e aspetta buoni risultati, cioè, corrispondenza.

       Nella parabola di oggi, Gesù paragona il regno a un banchetto, come abbiamo sentito nella prima lettura. Il re invita la gente alla festa di nozze del suo Figlio e vuole che ciascuno prenda l’impegno liberamente. Sembra che proprio per questo ognuno inventi una scusa per non andare alla festa anche di fronte all’insistenza del re. Allora il re allarga l’invito alle altre persone perché i primi non erano degni di quella festa. Alla fine del brano c`è una scena drammatica che sembra togliere lo splendore della festa, vale a dire, qualcuno è impedito a partecipare integralmente perché non ha indossato la veste propria della festa. Questa seconda parte è una seconda parabola, cioè, non fa parte della prima. 

      L’invito che questo re fa traduce l’intenzione di Dio sull’umanità. La missione redentrice del suo Figlio è come una festa di nozze. L’offerta salvifica è fatta a tutti. Il popolo della antica alleanza è stato il primo ma non l’unico. Altri popoli che erano considerati fuori della ‘portata salvifica’ hanno accolto bene l’invito a partecipare al banchetto del Figlio di Dio. Per noi questo banchetto è l’Eucaristia. È proprio Dio che ci invita e ci serve con tutto il suo amore. Egli non vuole che nessuno sia fuori, ma la risposta dipende da ognuno. Davanti alla generosità e gratuità divina siamo invitati a rispondere con la totalità della nostra vita. Le nostre preoccupazioni e interessi personali devono rimanere in secondo piano. Dio continuerà a chiamare anche se la nostra risposta non sempre è secondo la sua aspettativa. La nostra difficoltà di rispondere all’invito di Dio non mette limite alla sua bontà e generosità.

       In Gesù, Dio ci invita a partecipare alla sua stessa vita ma sa che sono molte le scuse a causa delle scelte che facciamo. Colui che invita aspetta sempre una risposta che sia secondo la chiamata perché egli stesso ci rende capaci di farlo. Però nella parabola, colui che non vestiva la veste delle nozze dimostrò di non essere ancora pronto per partecipare al banchetto. Così molti di noi rispondiamo di sì, ma non perseveriamo in questo sì, non riusciamo a vivere in comunità e a contribuire alla sua crescita. Allora, non basta accogliere l’invito di andare al banchetto, bisogna entrare nella logica del banchetto e di colui che offre il banchetto, cioè, la logica del dono, della consegna di sé, di sentirsi comunione con gli altri. Questo è il ‘già’ del Regno come aperitivo della gioia senza fine che proveremo nel banchetto del Regno definitivo, nella sua dimensione di ‘non ancora’.


Fr Ndega

Revisione dell'italiano: Giusi 

sábado, 18 de julho de 2020

"ODIARE GLI ERRORI MA AMARE CHI ERRA"


Riflessione su Sap 12, 13.16-19; Rom 8,26-27; Mt 13, 24-43



 

     Come abbiamo riflettuto la settimana scorsa, tra quattro tipi di terreni, uno solo è nelle condizioni per accogliere il buon seme e generare frutto. Il buon seme è la parola di Dio che ha la forza in sé per generare nuova vita là dove è accolta. Secondo il brano del Vangelo di oggi, se il terreno è buono, può accogliere anche la zizzania. Ciò significa che i segni di morte possiamo trovarli anche là dove ci sono i segni di vita. Questo mette in luce che anche se il cuore è buono può portare la semente del male, cioè, può avere cattiva tendenza. Il nemico di Dio agirà sempre per impedire che i suoi figli vivano secondo la sua volontà. È in mezzo a questa realtà che siamo chiamati a vivere la nostra appartenenza a Dio.

       Il testo della Sapienza è un inno a Dio per la sua bontà e pazienza verso tutti i suoi figli. La sua potenza e grandezza non gli impediscono di agire con mitezza e tenerezza, prendendosi cura di tutti specialmente di coloro che sono più deboli. Con questo suo modo di agire Dio ha educato il suo popolo offrendo a tutti delle opportunità per cambiare vita perché essa sia secondo il suo desiderio. Dio è indulgente e paziente perché ama con un amore eterno, un amore che ci motiva alla speranza aprendo le porte che abbiamo chiuso con i nostri sbagli.

       Abbiamo bisogno di questo amore e desideriamo molto amare come Dio. Per questo, secondo San Paolo, lo Spirito viene in aiuto alla nostra debolezza, agendo dentro di noi affinché sappiamo rivolgerci al Padre come conviene, con la fiducia e la libertà proprie dei figli. Lo Spirito ci fa sintonizzare con il cuore di Dio, desiderando in noi ciò che è desiderio di Dio per noi.

        La prima parabola che Gesù ci racconta nel brano di oggi parla della dinamica del Regno di Dio che “non si affermerà nel mondo trionfalmente ma sarà insidiato dal male fino alla fine della storia”. Dio semina il buon grano nel grande campo del mondo e non può fare diversamente perché egli è buono. Il suo nemico ha seminato la zizzania, cioè il grano cattivo. Cosa fare con questa zizzania? Il padrone del campo ha già un piano ma preferisce aspettare ed agire nel tempo opportuno, cioè, nel suo tempo. “La pazienza del Padre verso chi fa il male si rivela Vangelo anche per noi che vogliamo seguire Gesù e che però non siamo a nostra volta immuni dal peccato”.

      L’essere umano è buono di natura. L’origine della bontà che esso porta nel cuore è lo stesso Dio, secondo quanto ci racconta la Genesi: “E vide che tutto era molto buono”. Allora, da dove viene il male? Secondo questo brano, viene dal nemico, che semina un seme cattivo di notte, di nascosto, in opposizione all’azione dei servi fedeli fatta alla luce. Purtroppo l’essere umano è influenzato da questo nemico e porta anche il male dentro di sé insieme al bene che viene da Dio. È proprio in mezzo a questa realtà di bene e male che i valori del Regno si trovano seminati.  

      Alle volte il male sembra più forte perché anche noi contribuiamo ad alimentarlo di più. Molte volte siamo rimasti sorpresi nel vedere che ciò che sembra buono è cattivo e ciò che sembra cattivo è buono. Con i nostri pregiudizi abbiamo fretta di giudicare gli altri sul loro modo di vivere. Abbiamo la tendenza ad essere severi con gli altri e benevoli con noi stessi nel nostro modo di giudicare. Così ci dimentichiamo che non tutte le nostre azioni sono fatte alla luce e secondo la bontà seminata nel nostro cuore. Le azioni fatte di nascosto rivelano il lato buio della nostra vita.  

        Ma Dio non vuole il male. Lui è il primo interessato a volere eliminare il male dal mondo e dalla nostra vita; ci invita ad aspettare pazientemente, imparando da lui che fa piovere sui giusti e sugli ingiusti, sui buoni e sui cattivi. Come il padrone della parabola, non bisogna abbassare la guardia e rassegnarsi ma agire con discernimento e azioni adeguate riconoscendo e rafforzando il bene presente in noi e negli altri per essere più efficaci contro il male che ci disturba.

      Tramite la sua pazienza Dio ci ha dato molte opportunità di conversione e di cambiare vita. Allora, avere pazienza non vuol dire accettare il male ma accompagnare il ritmo di Dio che ha l’eternità davanti a sé e sa come trasformare il male in bene perché sa amare. Il tempo che Dio ti dona per la tua conversione definitiva al bene, ti aiuta a considerare che “il peccato non è rivelatore, mai: nessun uomo, nessuna donna coincidono con il loro sbaglio o con la zizzania che hanno in cuore. Tu non sei le tue debolezze, ma le tue maturazioni”. Anche San Giovanni Calabria usava dire: “Dobbiamo odiare gli errore ma amare chi erra. Le persone non sono i loro errori”.   Questo è davvero un invito a cambiare il nostro modo di vedere le cose, agendo secondo il cuore misericordioso di Dio “e tutto il nostro essere fiorirà nella luce”.


Fr Ndega

Revisione dell'italiano: Giusi

domingo, 12 de julho de 2020

LA FECONDITÀ DELLA PAROLA

 Riflessione a partire di Mt 13, 1-23


      La centralità della nostra riflessione non è altro che la Parola di Dio. Tramite la sua Parola, Dio ha creato l’intero universo e continuamente lo rinnova. Come Dio della parola, Egli parla sempre al cuore delle persone, non si stanca. Nel suo modo di parlare, non segue delle rubriche né ci parla solo di quello che vogliamo sentire. Però tutto ciò che ci dice ha una finalità molto concreta di attuazione nelle diverse situazioni in cui viviamo. È bello pensare che anche se la sua Parola porta in sé stessa una capacità fecondatrice Dio la fa dipendere dalla qualità del terreno che gli offriamo. Siccome Egli non si stanca, alla fine la sua Parola riuscirà a compiere in noi ciò che Egli desidera.

     Il modo con cui accogliamo la Parola di Dio si riflette nel modo con cui ci rapportiamo tra noi e con tutto ciò che è intorno a noi. Anche il creato è coinvolto nel messaggio di salvezza che ci è stato rivolto. Siamo stati liberati ma non viviamo da liberi e questo incide anche nel creato che soffre le conseguenze delle nostre scelte sbagliate e attende di essere liberato per partecipare alla gloria dei figli di Dio. Possiamo anche dire che se il creato soffre è perché non viviamo da figli. In ragione della redenzione è possibile che viviamo un rapporto più armonioso e fraterno con il creato di cui siamo parte anche noi.

    A tutti viene rivolto il messaggio della Parola, ma non tutti sappiamo riceverlo con entusiasmo, oppure quando lo riceviamo con entusiasmo all’inizio non siamo in grado di riconoscerne il vero valore, permettendo che le preoccupazioni e occupazioni della vita soffochino questo messaggio. A questo punto, non riusciamo a portare avanti gli impegni che la parola ci fa assumere. Secondo la spiegazione di Gesù possiamo essere fecondati dalla Parola e vivere a partire da essa oppure rendere insensibile il nostro cuore al punto di resistere a qualche cambiamento proposto. I semi della Parola saranno sempre abbondanti poiché Dio non si stanca, ma chi non ha il cuore aperto ad accettare il suo messaggio non sarà mai in grado di produrre i frutti sperati. Tocca ad ognuno domandarsi: che tipo di terreno sono io?

    Lasciamoci interpellare dalla Parola, rispondendo con docilità dinanzi alla rivoluzione interiore che essa provoca e disponiamoci ad agire conseguentemente, mostrando che la grazia di Dio in noi non è vana.


Fr Ndega

Revisione dell'italiano: Giusi