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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

3 O MISTÉRIO TRINITÁRIO

Neste terceiro tema teológico, quero refletir com vcs sobre o mistério da Santíssima Trindade. É preciso ler o artigo anterior para uma melhor compreensão deste. Uma boa reflexão!
1 ECONOMIA DA TRINDADE: O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério do próprio Deus. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, e a luz que os ilumina.
1.1 A Trindade Imanente: É a Trindade em si, em sua eternidade e em sua comunhão pericorética.
1.2 Trindade Econômica: Deus Pai que, por meio do Filho, na força do Espírito Santo se manifesta na história. É para nós a fonte única e definitiva de todo o conhecimento do mistério da Santíssima Trindade.
2 A REVELAÇÃO DA TRINDADE COMO REVELAÇÃO DO DEUS QUE É AMOR: Deus não existe para depois amar: ele existe porque é amor. E Deus é Trindade porque é amor. Deus deixou sem dúvidas vestígios de seu ser trinitário na obra da Criação e na sua Revelação ao longo do Antigo Testamento
3 ESTRUTURA TRINITÁRIA DE FÉ E DA VIDA CRISTÃ: Deus é trino em si e por sua natureza, independente da criação e antes dela. A fé católica consiste em venerar um só Deus na Trindade; e a Trindade na Unidade, sem confundir as Pessoas, nem separar as substâncias; pois uma é a pessoa do Pai, outra é a do Filho, outra do Espírito Santo;  não há divisão entre eles, mas sim distinção.
4 VIDA TRINITÁRIA E INTERVENÇÃO DE DEUS NA HISTÓRIA: AS MISSÕES DIVINAS: é o envio de uma Pessoa divina por outra. A Pessoa enviada procede da Pessoa que envia. Assim o Pai não é enviado porque não procede de ninguém: é princípio sem princípio. Dá-se à nossa alma mas não é enviado. Ele envia o Filho e com o Filho envia o Espírito Santo. O fim é produzir comunhão entre Deus e nós e entre nós.
5 A NOÇÃO DE PESSOA E SUA APLICAÇÃO NA EXPOSIÇÃO TEOLÓGICA DO MISTÉRIO TRINITÁRIO: os teólogos e o Magistério da Igreja utilizam o termo pessoa para designar o Pai, o Filho e o Espírito Santo na sua distinção real entre Si. Em Deus a palavra pessoa designa não a essência divina, mas as três relações reais intratrinitárias subsistentes e distintas entre si. A essência divina é numericamente una.
6.1 Monarquianismo: Originário de uma concepção rigidamente monoteísta de Deus, própria do monoteísmo judaico, Divide-se em: 6.1.1 Monarquianismo modalista (Modalismo): Reduz a Trindade a diferentes facetas de Deus e compromete a singularidade de cada pessoa divina e a peculiaridade de sua missão. 6.1.1.1 Sabelianismo - insistiam demasiadamente na unidade de Deus a ponto de negarem a Trindade. afirmaram que as três pessoas da Trindade eram como máscaras de um mesmo Deus. 6.1.1.2 Patripacionismo, no Ocidente, ensina que o Pai é quem sofreu a paixão. 6.1.2 Monarquianismo dinamista ou adocianista (Adocionismo): o Filho não é uma encarnação divina, mas sim uma potência (dynamis) do Pai.
6.2 Subordinacionismo: considerar Cristo, enquanto Filho de Deus, inferior, subordinado ao Pai. 6.2.1 Arianismo: Ário (256-336),. Jesus era semelhante a Deus (homoioúsios), jamais igual (homooúsios). 6.2.2 Pneumatômacos - Macedônio (+362), Para ele o Espírito Santo não era consubstancial a Deus: era uma energia, uma força, um fluído.
6.3 Concílio de Nicéia (325): Define que o Verbo é verdadeiro Filho de Deus, da mesma substância do Pai (homoousios). 6.4 Concílios de Constantinopla I (381) e II (553)Estes dois concílios basicamente afirmam a consubstancialidade do Espírito Santo na Trindade.
6.5 Triteísmo: Insistiu tanto na diversidade das Pessoas que as dividiu. Negavam, dessa maneira, a comunhão como elemento constitutivo da Trindade.O triteísmo teve sua máxima expressão no abade Joaquim de Fiore (+1202)
6.6 IV Concílio de Latrão (1215): acentua a unidade Divina, reforçando que a pericórese (uma Pessoa conter as outras duas. Caráter de comunhão que vigora entre as divinas Pessoas)  é originária, simultânea e constitutiva da Trindade.
7 O ESPÍRITO SANTO COMO DOM: Chamar o Espírito Santo de Dom significa que o Espírito é dom e foi doado. Diferentemente de Jesus, que também foi dado e seu dom produziu-se de uma vez para sempre (Cf. Hb 7,27; 9,12; 10,10; Rm 6,10), o Espírito Santo é um dom constate.
8 A INABITAÇÃO NA ALMA: A inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo é a presença sobrenatural de Deus no homem, pela qual este é transformado interiormente, deificado, endeusado ou divinizado, conforme expressam os Padres da Igreja. Atribui-se ao Espírito Santo (ação santificadora). A Reflexão sobre a Inabitação:a) No NT: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14, 23). o vosso corpo é templo do Espírito Santo (1Cor 6, 19). b) Pelo Espírito Santo “se difunde nos nossos corações a caridade de Deus, pela qual vem inabitar em nós toda a Trindade” (Santo Agostinho. De Trinitate, 15,18,32); c) “Deus uno e trino abre-se ao homem, ao espírito humano. O sopro escondido do espírito divino faz que o espírito humano se abra, por sua  vez, perante a abertura salvífica e santificante de Deus” (João Paulo II, Encíclica Dominum et vivificantem. 1986, n. 58).

Modjumbá axé!
Pe. Degaaxé

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A TRINDADE, A JUVENTUDE E A ECONOMIA


Estimados/as jovens,

                    Iniciemos dando graças ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo, pela vida da juventude e por mais esta oportunidade de experimentar a maravilha do seu amor, como seus filhos e filhas.
                   Aprendemos na catequese que o nosso Deus é Uno e Trino, e não poucas vezes, ficamos a nos perguntar como isto é possível. Quando se pensa em Deus como Uno, lembramos da sua unidade, assim como Jesus reza: eu e o Pai somos um, quem me vê, vê o Pai; que sejam um assim como eu e tu, Pai, somos um.          
                 Quando pensamos em Trino, lembramos que são pessoas distintas, cada uma com a sua missão específica, mas presente e atuante na missão da outra, de forma que onde uma das pessoas está, estão as outras duas e cada uma contém as outras duas. São pessoas que se amam eternamente e tão intensamente que evitam o isolamento e impedem a exclusão, promovendo a vida e a comunhão. Este é, portanto, o nosso Deus, Santíssima Trindade: unidade na diversidade, a melhor comunidade. Ele é único, mas não é sozinho; Ele é relação. Por ser comunidade de amor, é permanente novidade, envolvendo o universo inteiro numa dinâmica constante de recriação, comprometendo o ser humano a orientar todo o seu viver segundo este mistério.
               Assim, quando falamos em economia,  a nossa reflexão precisa se voltar para a intenção do Deus Trindade a respeito da vida e do ser humano. Em teologia, falamos de Economia da salvação, designando os planos de vida que Deus tem a nosso respeito, que nos proporciona abundância de dons e de bens.
               Essa reflexão nos leva a questionar o modelo econômico injusto, adotado em nosso país, que privilegia alguns e marginaliza tantos irmãos e irmãs. Esta economia que usa os jovens e os descarta segundo os seus interesses, com certeza, não é querida por Deus; pelo contrário, é um atentado à sua imagem presente em cada jovem. Questionamos o acúmulo e o consumismo desenfreado que isola sempre mais as pessoas e as tornam indiferentes frente a realidade dos seus semelhantes.
              A economia precisa estar a serviço da vida e não a vida a serviço da economia. Quando colocada a serviço da vida, ela nos abre perspectivas mais amplas. Ela se torna uma realidade promotora de solidariedade, de justiça, de cuidado com a natureza, de atenção às necessidades básicas de todos e todas. A fartura da mesa nos faz pensar na abundância de vida que o Deus Trindade quer nos proporcionar, convidando-nos a fazer parte do seu mistério.
             Na medida em que trazemos de volta a economia para seus verdadeiros objetivos, nos damos conta da dimensão transcendente da existência humana, chamada a participar da abundância dos bens divinos, que já começam a ser partilhados neste mundo, pelos valores que a fé cristã nos apresenta.

             Que o mistério do Deus Uno e Trino nos inspire atitudes mais proféticas, para cultivarmos uma nova economia pautada pela justiça e solidariedade, promovendo a vida e a dignidade para todos e todas.

Modjumbá axé!

Pe. Degaaxé